Menina encontra esperança na dança para enfrentar doença

É na arte de dançar que Jane encontra forças para enfrentar o Lúpus e a sessões de hemodiálise

Apesar da aparência tímida, Jane Maria dos Santos Lima, 44 anos, não hesita quando precisa expressar seu lado artístico. A música acima “Metade” de Oswaldo Montenegro é inspiração para conduzir uma das peças preferidas que ela mesmo escreveu.

Quando fala de dança e arte, Jane se emociona.  É quase impossível para ela conter as lágrimas ao se lembrar da rotina que tinha como coordenadora de eventos, artista e professora de artes na cidade de Macapá (AM).

Jane está em Joinville desde 2012 em busca do tratamento renal oferecido pela Fundação Pró-Rim, quando foi diagnosticada com Lúpus em 2001 e em consequência, depois de lutar contra a doença, seus rins pararam onze anos depois. Em Macapá (AM) o tratamento dialítico é precário e a possibilidade de transplante difícil, por isso Jane teve que sair para se tratar, chegando até a Pró-Rim.

Por estar com o Lúpus ativo a macapaense ainda não pode entrar na fila por um transplante de rim e precisa fazer dialise três vezes por semana, junto das sessões, a paciente continua o tratamento para controlar o Lúpus e enfim entrar para a fila.

“Às vezes me sinto sem forças e penso que só um milagre irá me salvar. Nestes momentos coloco uma música bem alta, clássica de preferência, e começo a dançar. Esta é a única forma que encontro para superar meu problema e recuperar minhas energias”.

Em maio deste ano, Jane esteve entre os pacientes convidados para visitar a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil no Dia Mundial da Dança. Esta foi a primeira vez que a professora viu uma apresentação ao vivo do grupo, apesar de ter acompanhado pela TV as apresentações do Festival de Dança em 2012.

“Quando começaram as apresentações me imaginava no palco e recordei a época em que podia dançar, coordenar meu projeto “Arte em Movimento”, fazer coreografias e escrever peças. Foi um momento de alegria e também de tristeza”, recorda.

O amor pela arte

Jane é daquelas pessoas que luta pelo que ama e aprende por força de vontade. Assim, desde pequena sempre se entregou para o universo da arte de corpo e alma. Aos 16 anos iniciou suas atividades profissionais em apresentações regionais e que ressaltavam a cultura da região.

Em Macapá o lado artístico cultural é fortemente elevado. Têm o Carimbó e o Marabaixo (estilos de dança), apresentações com apelo religioso e incentivo ao desenvolvimento da arte.

Tudo isso fez com que Jane aprimorasse o talento, se formando professora de arte e educação pela UNIFAP – Universidade Federal do Amapá e montando o grupo de dança e teatro “Arte em Movimento”. “Éramos um grupo de 25 pessoas e por 5 anos conseguimos ganhar destaque na região com ajuda de instituições, secretaria da cultura e prefeitura para que nos apresentássemos”, completa.

Quando parou com as atividades devido ao Lúpus Jane recorda que o grupo foi convidado para se apresentar internacionalmente na Guiana Francesa. Além disso, outros convites importantes ainda estão guardados na caixinha das melhores lembranças.

Mesmo não podendo voltar ainda à vida artística e a dança Jane fica feliz por saber que muitos dos alunos e membros do grupo seguiram seus passos. “Quero voltar, mas ainda não é o momento, pois para mim a arte é tudo. É a expressão do corpo, da vida, da alma. É a nossa essência e se for para voltar quero estar inteira nos palcos”, desabafa.