Artigo: conhecimento em transplantes renais

Por Dra. Luciane M. Deboni

Pesquisar, estudar, compartilhar e disseminar conhecimento sempre fez parte dos planos da Fundação Pró-Rim. Dar mais qualidade de vida aos nossos pacientes renais, também.

Através da atualização médica e da participação em eventos especializados, a equipe multidisciplinar traz para a prática diária um novo olhar para com o paciente. Quando o conhecimento e a prática são aliados, os resultados são excelentes e o serviço que prestamos se desenvolve cada vez mais. Com esse foco, em novembro, conquistamos a marca de 1.200 transplantes renais realizados com pacientes de todo o Brasil.

Na área do transplante renal a evolução através do conhecimento é constante. Recentemente, participamos do Congresso Brasileiro de Transplantes com a apresentação de trabalhos significativos. Esse é um evento de grande porte com milhares de pessoas participando, não somente médicos, mas todos os profissionais envolvidos no processo de transplante e que estão submergidos neste universo envolvente e fascinante que é o transplante de órgãos. E a participação da Pró-Rim também tem ocorrido assim.

A nossa equipe multidisciplinar estava ali, lado a lado de grandes instituições como Unifesp, Usp, UFRGS, compartilhando o fruto do nosso trabalho diário com os pacientes, e apresentou trabalhos que são resultados de uma atuação multidisciplinar no ambulatório de pré e pós transplante ao longo desses 26 anos de história.

Dentre eles, estão o perfil dos primeiros 1.000 transplantes renais e doadores da Fundação Pró-Rim; Causas de Conversão para Everolimo; Perfil da ITU (Infecção do Trato Urinário) em 2 anos de seguimento no Ambulatório de Pós transplante e um estudo na área de psicologia sobre internação hospitalar com um comparativo entre pacientes em lista de transplante renal e pacientes que não estão em lista de transplante renal.

Agora, é o momento de prepararmos os futuros trabalhos. Para a próxima edição do evento, já começamos um estudo de prevalência de polioma vírus na população transplantada. Este é um vírus que vive latente na população, e que no transplante, pode entrar em fase de replicação e causar dano renal. Nenhum centro no Brasil fez até hoje um estudo de todos os seus pacientes usando a técnica do PCR como método diagnóstico. Este, por exemplo, é um trabalho em parceria com o Hemosc, que viabilizou a realização destes exames, e certamente participarão da publicação dos resultados.

Por fim, gostaria de destacar que um outro aspecto muito importante é o compartilhamento de experiências com outras equipes do Brasil. Sempre que interagimos com colegas da mesma área voltamos renovados, entusiasmados e gratificados por comprovar que realmente o que fazemos em Joinville é um transplante de muita qualidade, que os recursos que oferecemos aos nossos pacientes são os mesmos, por vezes até melhores, do que aqueles dos grandes centros universitários.

A Pró-Rim tem se tornado cada dia mais referência nos transplantes renais. Estamos recebendo pacientes de todo o país para realizar seus tratamentos junto a nossa equipe.  Enxergamos isso como uma grande responsabilidade a nós confiada. Para isso, o conhecimento é o principal elemento neste processo de cuidar de quem precisa de nós. Ao buscarmos a atualização em congressos médicos de referência na área e – principalmente – acelerarmos a nossa produção científica, compartilhamos a nossa experiência, disseminamos conhecimento e amadurecemos para nos tornarmos cada vez melhores. Sempre para razão de ser: nossos pacientes.

* Dra. Luciane M. Deboni é médica coordenadora do setor de Transplante Renal da Fundação Pró-Rim